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Eletra, de São Bernardo, estuda fabricar ônibus rodoviário elétrico

Empresa planeja investir R$ 40 milhões no projeto e considera abrir unidade no Paraguai para ampliar presença em países da América Latina

Beatriz Mirelle
11/10/2026 | 10:30
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FOTO: André Henriques/DGABC  Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


 A Eletra, fabricante de ônibus elétricos instalada em São Bernardo com tecnologia 100% nacional, estuda produzir uma linha de rodoviários até o fim de 2027. O projeto deve custar ao menos R$ 40 milhões e pode demorar um ano para ser implementado. Em paralelo ao interesse por novos mercados, a empresa também visa expandir sua atuação e avalia a possibilidade de abrir uma segunda fábrica, no Paraguai. A companhia anunciou, em setembro, R$ 270 milhões em recursos até 2028 para aumentar a produção e ampliar a área da unidade do km 16 da Via Anchieta. 

Em entrevista exclusiva ao Diário, a presidente da Eletra, Milena Braga Romano, explica que a atual capacidade produtiva é de 1.200 ônibus por ano. “A partir de janeiro de 2027, vamos subir para 1.800 e se a gente duplicar o turno, podemos chegar a 2.800 ônibus anualmente.” 

Segundo ela, há uma demanda crescente em relação aos ônibus elétricos, o que exige a construção de mais uma fábrica. “Estamos pensando no Paraguai ou até mesmo no Brasil, mas na divisa entre territórios para conseguirmos fazer essa logística de entrega desses veículos em Estados mais próximos de países da América Latina.”

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De acordo com a presidente, nações como Chile, Colômbia, México e Argentina já demandam e operam ônibus elétricos de outros fabricantes. “Isso porque eles nunca tiveram um brasileiro como opção. Temos uma vantagem competitiva em relação à qualidade e ao preço. A gente não tem produto de prateleira. Desenvolvemos a partir da necessidade da região”, explica a executiva.

Para o futuro, a possibilidade de investir em ônibus elétricos rodoviários inclui parceria com o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social). “A gente tem um projeto já encaminhando para finalização e início de produção. As empresas rodoviárias normalmente gastam 60% das despesas delas com diesel. Vemos um ganho financeiro muito grande em operar uma nova frota.”

Apesar da burocracia, Milena Romano indica que novas tecnologias permitem que a ideia saia do papel. “No passado, não era possível porque não tínhamos baterias grandes e autonomia suficientes para andar no trajeto mínimo. Hoje já é possível. Claro que ainda existem alguns desafios, mas a gente projeta que até o fim de 2027 já tenha o ônibus rodoviário pronto em teste para mostrar para o mercado.” 

Nos trechos urbanos, os veículos da Eletra conseguem chegar a 300 quilômetros, com recargas de oportunidade. “Nós orientamos o motorista para que sempre que ele tiver uma chance, carregue o veículo. A bateria não vicia”, pontua a presidente.

IMPASSES

Milena diz que um dos desafios do setor é a oferta de incentivos fiscais para estimular empresas estrangeiras a produzirem no Brasil. Para ela, benefícios para fabricantes locais deveriam ser prioridade. “É um orgulho ser uma empresa brasileira, com índice de nacionalização de 93%. O único item que vem de fora é o lítio da bateria. Ou seja, é um produto 100% nacional, diferente do asiático, que acaba trazendo coisas de fora e faz a montagem aqui. O índice deles é de 60%”, pondera.

Ela ressalta que mais de 30 mil pessoas estão envolvidas na cadeia produtiva para produção de um ônibus da Eletra. “Tudo isso enriquece muito o nosso País.”

Outro ponto citado como obstáculo é encontrar profissionais capacitados para atuar no setor. “Está muito difícil achar mão de obra qualificada e disponível. A gente tem conversado com as montadoras da região, Scania, Mercedes, e vemos que todos têm a mesma dificuldade de encontrar trabalhadores especializados. Há uns meses quando aumentamos nossa produção, fomos atrás até de funcionário de caixa de supermercado, treinamos e conseguimos colocar na montagem”, relata Milena Romano.

Como estratégia, a empresa iniciou parceria com o Sest Senat (Serviço Social do Transporte e Serviço Nacional de Aprendizagem do Transporte), que busca promover desenvolvimento profissional. “A gente dá muitos treinamentos para garagens que fazem a manutenção hoje a diesel e que são nossos clientes comprando o elétrico. Fizemos imersão com colaboração de manutenção para ensiná-los a mexer com nossos ônibus.” A presidente indica que os profissionais mais procurados pela Eletra são engenheiros e técnicos em eletrônica e mecânica. 


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