Veja a Palavra do Leitor do 'Diário' deste dia 19 de setembro de 2026

André Mendonça
Não sou jurista. Sou cristão realista e vejo por meio da imprensa episódios que deixam a todos nós atônitos, desiludidos e confusos. Falo dos bárbaros acontecimentos que estão estremecendo figuras do STF (Supremo Tribunal Federal) e parlamentares. Tudo isso porque, por sorteio e ação divina, André Mendonça, competente jurista e ministro do STF, está descascando a cebola dos problemas. Mas esta cebola envolve várias saladas, com ingredientes atípicos. Acho que nós, como legítimos donos da soberania nacional, temos de reagir de modo ordeiro para fortalecer André Mendonça. Não é justo que este nosso representante no Supremo fique sozinho, como Jesus ficou – e, por isso, foi injustamente sacrificado e humilhado. Jesus fazia o bem, mas não agradava o governo da época. Caro ministro, entendo a sua situação. O sr. é um homem justo, que precisa ser reconhecido pelo excelente trabalho. Que a Justiça não o desampare. Vamos ficar atentos aos próximos episódios. Não podemos ser injustos com quem luta por nós.
Euclides Marchi
Santo André
Crise no STF – 1
A ministra Cármen Lúcia merece nossa reverência por ter manifestado seu constrangimento e profunda vergonha ao presenciar um dos momentos mais degradantes da história do STF (Supremo Tribunal Federal). Como ela própria declarou: “Estou em profunda consternação e tristeza. O STF provocou um mal-estar cívico nestes dias”. Os responsáveis por essa crise são ministros alinhados ao governo – Gilmar Mendes, Flávio Dino, Cristiano Zanin e Alexandre de Moraes, este último alvo de graves suspeitas no caso do Banco Master. Eles podem até comemorar a vitória temporária ao adiarem a autorização para investigar Moraes, mas a verdade é que protagonizaram um verdadeiro show de horrores no plenário da Corte, transmitido ao vivo para todo o País. Gilmar Mendes e Flávio Dino tentaram desmoralizar o presidente da Corte, Edson Fachin, e o ministro André Mendonça. Como relator, Mendonça apenas cumpriu seu papel ao sugerir a investigação de Moraes e de sua mulher, diante de indícios de ligação com Vorcaro, ex-dono do liquidado Banco Master. Com o único objetivo de blindar o colega, esses magistrados deixaram o decoro de lado e atropelaram a Constituição Federal, mostrando-se incapazes de honrar o compromisso com a Nação. Outra afronta ao público veio do ministro Kassio Nunes que, sob aparente pressão, alegou suspeição para não votar por presidir o TSE, uma justificativa frágil diante das denúncias que citam o escritório de seu filho como recebedor de repasses mensais do Master. Para fechar o espetáculo, Dino pediu vista do processo em tom de deboche, visando apenas protelar a decisão e tentar proteger politicamente o presidente Lula. Contudo, em ano eleitoral e com o governo desgastado nas pesquisas, essa blindagem escancarada tende a produzir o efeito oposto perante o eleitorado.
Paulo Panossian
São Carlos (SP)
Crise no STF – 2
No Brasil, para ser ministro do Supremo Tribunal Federal, é preciso ter “notável saber jurídico e reputação ilibada”, além de ser brasileiro nato. Esses são os únicos requisitos. O ministro não precisa necessariamente ser juiz ou advogado. Na teoria, não precisa sequer ter formação acadêmica em Direito. Cruzes! Então, como será que se traduzem esse saber jurídico e essa reputação ilibada, se os caras estão preocupados em serem servis a quem os indicou ou a quem lhes interessa servir? Concurso para eles.
Tania Tavares
Capital
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