João Ramalho. A retomada. E a continuidade dos estudos. Prepara-se um livro. Projeta-se ida a Portugal. Um seminário. Uma estátua em Vouzela
O Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo planeja publicar um livro inédito a respeito de João Ramalho, com várias novas pistas sobre o fundador da Vila de Santo André da Borda do Campo
EM SÃO BERNARDO. 23 de julho de 2016. Estátua de João Ramalho e Bartira no saguão de entrada da Câmara de São Bernardo: exposição permanente FOTO: Denis Maciel/DGABC

DIZERES APAGADOS
“João Ramalho. Fundador de Santo André da Borda do Campo. Patriarca dos bandeirantes. Símbolo da raça. Orgulho do povo. Glória da Pátria”.
Inscrições no pedestal de João Ramalho quando da sua inauguração e eliminadas em anos mais recentes quando o pedestal foi substituído.
No programa Memória do DGABC TV desta semana, o presidente do IHGSP, João Tomás do Amaral, conversa com o autor de um livro inédito sobre os passos do português João Ramalho entre nós, obra do jornalista e historiador Eduardo Reina.
A ideia nasce de uma série de encontros entre os memorialistas do Grande ABC, quando se dá a reaproximação do Instituto Histórico com a região.
João Ramalho sempre foi um tema abordado por historiadores. Livros, artigos, dissertações, reportagens foram publicados. Dúvidas levantadas. E agora renasce a discussão, não só em São Paulo, e no Brasil, como em Vouzela e Portugal, para onde seguiu duas vezes seguidas o professor João Tomás do Amaral.
“Estamos formatando de uma forma bastante veloz uma parceria em estudos e que vai ter consequências superpositivas para a história de Santo André, São Paulo e Brasil”, comenta Eduardo Reina no bate-papo promovido pelo projeto Memória.
João Tomás acrescenta: “Vouzela se animou. Podemos fazer uma exposição porque lá pouco se conhece de João Ramalho. Podemos levar algumas pessoas e propor um seminário. Daniel Melo, assistente técnico da Câmara de Vouzela, indaga por que não provocar a Câmara a fazer uma estátua de Ramalho na cidade? Lá só tem uma avenida com o nome dele e um grupo filatélico que o tem como patrono”.
DEBATE EM ABERTO Todas essas questões são debatidas no encontro de João Tomás e Eduardo Reina.
A discutida Vila de Santo André da Borda do Campo, cuja localização da sede ainda é dúvida, fazia parte de uma sesmaria que chegava à Zona Leste de São Paulo.
O historiador Ubirajara de Farias Prestes Filho, supervisor do Arquivo da Câmara de São Paulo, tem o maior interesse pela questão.
A Universidade em Lisboa, e na Espanha, têm uma pesquisa muito forte com toda a tripulação integrante das embarcações que vieram para o Brasil na época do descobrimento.
“São listas e listas com os nomes de quem aqui chegou em 1501, 1502 e outros anos.
E o nome de João Ramalhão não aparece em nenhuma das listas”, comenta Reina, acrescentando:
“Existia alguma coisa em segredo que era a busca de dinheiro. O reino não mandaria para cá pessoas que não fossem de confiança dele. Vieram fidalgos militares que já haviam prestado serviço para Portugal em Ceuta, no Marrocos. Pessoas que cuidavam dos interesses financeiros da Coroa. Doze pelo menos desses fidalgos militares que aturam em Ceuta vieram para o Brasil”. LINHAS Amaral e Reina são concordes que o momento é propício à retomada e continuidade desses estudos.
Historiadores ao longo de décadas seguiram caminhos e deixaram pistas. O momento é de retomada de onde eles pararam, acrescentando-se novas informações para que futuros estudiosos prossigam nas investigações.
Para Amaral, importante é estudar e divulgar quem foi João Ramalho, o que tem despertado interesse por vários membros do IHGSP.
Segundo Reina, seu livro carece de alguns retoques e informações, mas o básico está pronto.
Há uma certeza, o que se publicar poderá trazer críticas. “Há 130 anos, Teodoro Sampaio liderou uma comissão para estudar João Ramalho, o que também foi polêmico. Houve elogios e críticas”, comenta João Amaral que, além do livro de Eduardo Reina cita o de Manoel Rosa sobre a “verdadeira identidade de Cristóvão Colombo”.
Há uma possibilidade de se publicar os dois livros.
Reina: Estamos nos juntando numa empreitada hercúlea, que tem um vale de séculos e que pode ampliar conhecimentos”.
Amaral: “É tudo muito motivador. Retomar esse estudo e agregar a obra do Eduardo Reina, que é um estudo independente de convergências e divergências”.
Memória: “Autoridade pública. Comunidade luso-brasileira. Vamos encarnar esse trabalho. Participar. Seguir os passos dos seus antecessores. Recompor comissões das cidades-irmãs. Participar da construção da nova História”. MODELOS PARA VOUZELA
Estátua de João Ramalho doada pela colônia portuguesa de Santo André em abril de 1953: monumento em bronze esculpido por Emanuel Manasse (ou Manassi) Estátua de João Ramalho e Bartira inaugurada em agosto de 1969: mogno maciço entalhado por Julian Gonzalez Garcia.
Em 11 de outubro de...
1916 – Para suplentes na chapa de juízes de paz em Ribeirão Pires são indicados Luiz Botacin e José Cheli. 1951 – Em 4 de outubro, um caminhão da Força Pública, conduzindo seis soldados e seis cavalos para o policiamento de um comício em São Bernardo, choca-se com um ônibus do Expresso Brasileiro no km 18 da Via Anchieta. Os dois veículos incendeiam-se. Morrem o motorista do ônibus e um passageiro, com 24 feridos. Sociedade Portuguesa de Beneficência de São Caetano iniciava a construção do seu hospital. Segunda Divisão de Futebol. Jogos do domingo, dia 7 de outubro, envolvendo equipes da região: em São Bernardo, Palestra local 2, Estrela da Saúde 3; em Santo André, Corinthians local 6, Paulista de Jundiaí 0; em Taubaté, Taubaté 0, EC São Bernardo 0.
1966 – Pelé e Zito, craques do Santos FC, visitavam as obras do Centro de Assistência à Infância de Santo André, futura Faisa, obra do Lions localizada à Praça Juca Quito. 1986 – Prefeito Newton Brandão abria a VII Feira do Livro de Santo André, no Parque Duque de Caxias, hoje Celso Daniel. Inaugurada a Praça Vereador Sebastião Lauriano dos Santos, no bairro Barcelona, em São Caetano.
Diário há meio século
Domingo, 3 de outubro de 1976 – edição 3173 Manchete – Indústria e comércio revelam dificuldade e apontam as origens. Maior problema: a descapitalização progressiva. Memória – Futebol e as flores no bairro Santa Maria, em São Caetano: 26ª reportagem da série “A História dos Bairros”. Saúde – Maternidade Neomater, em Rudge Ramos, São Bernardo, tinha suas instalações em fase final de acabamento: obra de um grupo de 11 médicos ligados à ginecologia e pediatra. “Será o primeiro hospital do Brasil a substituir a iluminação convencional pela solar”, declarava o médico Jorge Naufal. Além do Dr. Naufal faziam parte do empreendimento os médicos Aldo Arenella, Agostinho de Souza Bitelli, Abrahão Ismael Marsick, Antonio R. Freitas, Francisco Juarez Tavora, Jorge Brasil Leite, José Osmar Cardoso, Mario Casemiro, Roger Brook e Walter Gilberto Ramos.
Municípios Brasileiros
No Estado de São Paulo hoje é o aniversário de Pariquera-Açu, no Vale do Ribeira. Elevado a município em 1954, quando se separa de Jacupiranga. Pelo Brasil: Ariquemes (Rondônia), Bento Gonçalves (RS), Cambé, Rio Branco do Sul e Santa Mariana (PR), Campina Grande (PB), Itauçu (GO), Jucurutu (RN).
Hoje
Dia Internacional da Menina. Oficializado pela ONU em 2011, foca na conscientização sobre os direitos e os desafios enfrentados por meninas globalmente. Dia Nacional de Prevenção da Obesidade. Instituído no Brasil em 2008 para alertar sobre os riscos à saúde e a importância do tratamento dessa condição Dia Nacional do Deficiente Físico. No Estado de São Paulo a data foi oficializada pela lei nº 2.795, de 16-4-1981, proposta pelo deputado Osmar Ribeiro Fonseca, de São Caetano. Dia do Combate a Dor – Dia do Teatro Municipal.
Estados Brasileiros
Hoje é o aniversário de Mato Grosso do Sul, criado nesta data em 1977.
28º DOMINGO DO TEMPO COMUM
“Celebrar é também comprometer-se com o convite que o Pai nos dirige para estarmos em comunhão com ele e com os outros”. Fonte: ABC Litúrgico, folheto da Diocese de Santo André Ano 46 - Nº 2806 - 11/10/2026 Ilustração: Amauri Guimarães (Diocese de Sto.André)
Amanhã é dia de Nossa Senhora Aparecida, Padroeira do Brasil.
Pensamento
“Se escrevemos recordações de infância, poetizando nosso passado, apresentamos melhores do que foram os lugares que então frequentávamos, as pessoas que então nos rodeavam”. Carmelo M. Bonet
Ao citar o escritor uruguaio em seu livro Tempos Transcorridos (Recanto das Letras, 2020), o cronista andreense José Bueno Lima acrescenta: “O que não implica, sob quaisquer hipóteses, em demérito da obra”.




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