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Empresa que tem sede em São Bernardo ganha licitação para operar ônibus no Rio de Janeiro

Grupo Comporte venceu disputa para administrar linhas de transporte público nas regiões de Campo Grande e Santa Cruz, na Zona Oeste

11/02/2026 | 08:10
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FOTO: Divulgação Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


Com sede em São Bernardo, o Grupo Comporte foi declarado nesta terça-feira (10) vencedor da licitação de dois dos três lotes das linhas de ônibus municipais do Rio de Janeiro, capital fluminense – o terceiro, de acordo com o governo carioca, não atraiu interessados. Viação controlada pela holding localizada na cidade do Grande ABC vai substituir parte dos consórcios que operam atualmente nas regiões de Campo Grande e Santa Cruz, na Zona Oeste.

A informação foi divulgada com exclusividade pelo portal Diário do Transporte, e confirmada pelo Diário. A imprensa do Rio de Janeiro informa que as linhas serão operadas pela viação Penha, um das inúmeras marcas ligadas ao Grupo Comporte, fundado pelo empresário Nenê Constantino, 93 anos, e que hoje atua em cerca de 700 cidades do Brasil e possui uma frota estimada em 7.200 ônibus, capazes de transportar mais de 1,2 milhão de usuários por dia.

A administração carioca, liderada pelo prefeito Eduardo Paes (PSD), classificou a conclusão do processo licitatório como “um feito histórico”. A Comporte Participações S.A. se sagrou vencedora após apresentar como proposta os valores de R$ 9,94 por quilômetro no Lote A2 (Santa Cruz) e R$ 11,53 por quilômetro no Lote B2 (Campo Grande). O critério da concorrência foi o menor valor por quilômetro rodado. O usuário, todavia, seguirá pagando R$ 5 pela passagem – a diferença será subsidiada pelo município.

Ainda segundo a Prefeitura, o início da primeira fase de operação está previsto para abril. Em Campo Grande, o número de coletivos deve passar de 37 para 160. Já em Santa Cruz, a frota deve crescer de 67 para 216 ônibus. Os 272 novos veículos vão ampliar, de acordo com a administração carioca, de “forma significativa a capacidade de atendimento do transporte coletivo na região”.

As novas concessões terão prazo de 10 anos, prorrogável por igual período, com investimentos estimados em R$ 577 milhões. As empresas vencedoras serão responsáveis pela aquisição e operação da frota, manutenção dos veículos, implantação e gestão de garagens públicas e instalação de sistemas inteligentes de transporte para monitoramento em tempo real.

REI DO ÔNIBUS

A entrada do Grupo Comporte no Rio de Janeiro gerou comentários, e surpresa, entre os empresários do setor. É que a holding de São Bernardo coloca o pé em um dos mercados mais fechados do Brasil, que era praticamente monopolizado por outro grupo gigantesco do segmento, o Guanabara, fundado pelo empresário paraense Jacob Barata (1932- 2023), conhecido como o Rei do Ônibus.

“Conseguimos atrair um grande grupo para entrar e operar no Rio de Janeiro. A avaliação é que o modelo que propusemos com garagens públicas e que prevê a remuneração de cada lote por quilômetro rodado foram fundamentais para isso. Com a remuneração garantida por quilometragem, o risco da demanda é da prefeitura”, declarou a secretária municipal de Transportes, Maina Celidonio, ao jornal fluminense Extra.

Fundada em 10 de junho de 2002 em São Bernardo – sua sede fica na Avenida Pereira Barreto, no Baeta Neves –, a Comporte Participações é uma sociedade anônima de capital nacional fechado. Tem por objeto a participação em outras sociedades, às quais presta apoio administrativo, financeiro e operacional. A família Constantino, dona do negócio, é a idealizadora da aérea Gol.

A companhia atua por meio de suas controladas nos segmentos de transporte de passageiros por vias terrestres em linhas regulares ou sob a forma de fretamento contínuo e eventual, transporte de encomendas em compartimentos destinados ao transporte de bagagens e transporte de passageiros sobre trilhos. Entre outras marcas, controla a Piracicabana, a TIC Trens e a MetrôBH.

A reportagem do Diário tentou contato com o empresário Joaquim Constantino, acionista do Grupo Comporte, para ouvi-lo sobre a chegada ao Rio de Janeiro, mas não obteve resposta.




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