Maternidade Apesar da queda de doadoras nas unidades da região, quantidade de recém-nascidos aumentou de 1.277 em 2024 para 1.489 no ano passado
FOTO: Celso Luiz/DGABC

Os bancos de leite da região, localizados nos hospitais da Mulher de Santo André e de São Bernardo, apresentaram um crescimento de 16,6% no número de bebês atendidos em um ano. Em 2024, foram 1.277 beneficiados pelo leite materno doado, enquanto no ano passado subiu para 1.489 recém-nascidos. A quantidade de doadoras, no entanto, caiu 10,4%, de 1.564 para 1.402 em 2025.
De acordo com a supervisora do Banco de Leite do Hospital da Mulher de Santo André, Luciene Barbosa, apesar da diminuição de doadoras - de 449 para 370 no município -, foi possível suprir o aumento de demanda porque a quantidade de litros de leites doados se manteve. Foram coletados 711 litros de leite em 2024 e 718 litros em 2025. Neste ano, até o momento, foram doados 70 litros para o banco andreense por 43 doadoras e 47 bebês já receberam este leite. Atualmente, o estoque conta com 92 litros.
São Bernardo não informou a quantidade de litros doados, mas mantém o mesmo cenário de queda das doadoras - de 1.115 para 1.032 - e aumento de bebês beneficiados. Foram 876 recém-nascidos em 2024 e 1.088 em 2025.
Luciene explica que os estoque são mantidos graças às campanhas. “Mostramos que o processo é simples e não precisa ser retirado muito leite, nem é preciso que essas mães doadoras tenham produção em excesso. Podem ser de 10 a 15 mL por amamentação. Elas vão tirando um pouco por dia e colocando no frasco que disponibilizamos, que pode ser guardado no congelador”, esclarece.
A supervisora do banco de Santo André destaca que a validade do leite humano pasteurizado é de seis meses. “Portanto, o estoque pode variar de um período para o outro. Mais doadoras significam aumento no volume de leite coletado. Enquanto a queda no estoque pode estar relacionada com a alta na internação de bebês na unidade neonatal”, pontua.
A advogada de Ribeirão Pires, Maria Julia Cassiano Crivellaro, 29 anos, é uma das doadoras da unidade andreense. A ribeirãopirense teve uma filha no dia 29 de dezembro de 2025, que precisou ser internada na UTI (Unidade de Terapia Intensiva) Neonatal, enquanto a mãe produzia grande quantidade de leite que não estava sendo utilizado por sua filha.
“Pensei então em doar. Conversei com a enfermeira, que me explicou como funcionava o banco. É super tranquilo de doar. Achava que era difícil, mas é muito fácil. Tiro em casa, eles levam um frasco de vidro esterilizado, coloco lá e eles passam para retirar.”
“Além da minha alta produção de leite, o que me fez doar foi o desejo de ajudar crianças que ficam na UTI e a mãe não tem condições de amamentar. Minha bebê segue apenas com aleitamento materno, sem suplemento, e ganhando bastante peso”, justifica Maria Julia.
VIDAS SALVAS
Os leites doados são primordiais para a sobrevivência de recém-nascidos prematuros ou com baixo peso. Luciene Barbosa afirma que a separação da mãe do bebê, que precisa ficar na UTI Neonatal, pode provocar abalos emocionais que bloqueiam a produção de leite. Muitas vezes, por parirem antes do tempo ideal, o corpo dessas mulheres ainda não estava pronto para a amamentação.
A doação do alimento permite maior recuperação do recém-nascido e diminui o tempo de internação, as chances de complicações e a mortalidade. “Além de nutrientes, o leite materno tem fatores imunológicos capazes de proteger a criança de várias doenças. Isso é importante para qualquer bebê, ainda mais quando se trata de um prematuro, com baixo peso”, destaca Luciene.
A especialista ressalta que toda mulher que está amamentando pode ser potencial doadora. “Ela precisa ter feito o pré-natal, passar por alguns exames, não pode fazer uso de cigarros, bebidas alcoólicas, nem ter feito tatuagem em menos de um ano. Depois agendamos uma visita na casa dela para entregar o kit, composto por vidros esterilizados, máscaras, toucas e etiquetas. E uma vez por semana vamos à residência dela retirar o leite coletado”, diz.
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