Editorial
FOTO: DGABC

Há motivos para comemorar! A redução a zero das mortes maternas no Hospital da Mulher de São Bernardo, em 2025, conforme dados oficiais do Estado, é marco relevante à saúde pública. Resultado contrasta com anos anteriores, quando o município registrou índices preocupantes, incluindo três óbitos em 2024. A virada não ocorreu por acaso. Em abril daquele ano, o Diário iniciou série de reportagens que expôs denúncias de negligência e violência obstétrica na unidade. Ao trazer à luz relatos como os de familiares de Deisy Coimbra e Giovanna Bianchi Dinalli, o jornal cumpriu sua função essencial: informar com base em fatos de interesse coletivo e provocar a devida apuração pelas autoridades.
Na esteira das denúncias feitas pelo Diário, investigações conduzidas pelo comitê técnico apontaram falhas relacionadas ao exercício profissional, resultando no afastamento do então diretor técnico do Hospital da Mulher. A partir daí, a gestão do prefeito Marcelo Lima (Podemos), que assumiu em janeiro de 2025, promoveu mudanças estruturais e administrativas. Sob coordenação do secretário Jean Gorinchteyn, houve revisão de protocolos, reforço do pré-natal, ampliação de leitos e criação da Casa da Gestante. Também foram instituídas medidas para identificação precoce de risco, prevenção de infecções e qualificação do atendimento. Essas ações contribuíram para a alteração do cenário.
O episódio são-bernardense evidencia a importância da existência de um veículo de comunicação que aposta no jornalismo profissional e livre, comprometido exclusivamente com o interesse público. Ao noticiar irregularidades, o Diário não atua contra instituições, mas a favor da sociedade e do aprimoramento dos serviços. O caso do Hospital da Mulher de São Bernardo demonstra que transparência e fiscalização social podem resultar em políticas mais eficazes e proteção à vida. Como bem ensinou o jurisconsulto baiano Ruy Barbosa (1849-1923) em seu ensaio A Imprensa e o Dever da Verdade, onde a imprensa é livre, a sociedade é livre. São princípios que permanecem atuais e indispensáveis.
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