Criminalidade Outros indicadores reduziram em um ano no Grande ABC, como os casos de estupro e as ocorrências de furto geral e de veículos
FOTO: DGABC

Os casos de vítimas de homicídio doloso (quando há intenção de matar) e de roubos (geral e de veículos) atingiram o menor patamar para o mês de janeiro em 26 anos no Grande ABC. Segundo dados da SSP (Secretaria da Segurança Pública), o número de assassinatos reduziu 57,1% em um ano e passou de 14 registros em 2025 para seis em 2026.
O secretário da Segurança Pública de São Paulo, Osvaldo Nico Gonçalves, associa a redução nos delitos às ações de inteligência. “Adotamos uma estratégia baseada em dados e integração operacional para enfrentar esses crimes de forma estruturada. Mapeamos manchas criminais, direcionamos o policiamento para áreas de maior incidência e fortalecemos investigações qualificadas para desarticular grupos responsáveis por homicídios. O foco não é apenas reagir, mas antecipar movimentos do crime. Essa atuação coordenada tem sido fundamental para reduzir os índices e preservar vidas.”
Para o advogado criminalista e sócio do escritório J. Sobrinho & Gama Advogados Associados, Joabs Sobrinho, a queda está ligada ao aumento do “custo do crime”. “O cerco tecnológico, com câmeras de leitura de placas e integração de dados entre municípios, elevou drasticamente o risco de prisão em flagrante”, afirma. Segundo ele, a atuação com inteligência policial e a manutenção de prisões preventivas de líderes de desmanches desarticulam economicamente as quadrilhas.
O professor de Direito Penal Guilherme Gama avalia que a redução dos homicídios decorre de uma estratégia mais ampla de prevenção e integração regional. Ele cita o aumento das apreensões de armas, o monitoramento em tempo real por meio do programa Muralha Paulista e as operações conjuntas entre as sete cidades do Grande ABC. Segundo o especialista, a atuação coordenada reduz conflitos e enfraquece o crime organizado.
MIGRAÇÃO DE CRIMES
Apesar da redução nos roubos, os especialistas apontam possível migração para crimes com menor risco penal. Os furtos tiveram diminuição mais moderada: 24,2% (de 825 para 625) nos casos gerais e 10,7% (de 2.259 para 2.108) nos furtos de veículos. Segundo Joabs Sobrinho, o roubo envolve violência ou grave ameaça, o que resulta em penas mais altas e maior dificuldade para obtenção de liberdade provisória. Já o furto, por não envolver violência, prevê punições mais brandas.
Outra preocupação é o avanço do estelionato digital e das fraudes eletrônicas, crimes que dispensam contato físico e apresentam menor risco imediato ao autor. Para Guilherme Gama, o desafio das autoridades será ampliar a proteção também no ambiente virtual.
VIOLÊNCIA SEXUAL
Os crimes contra a dignidade sexual também apresentaram queda. Em janeiro de 2026 foram registrados 45 casos de estupro no Grande ABC, contra 54 no mesmo mês de 2025 - queda de 16,7%. O número inclui ocorrências contra pessoas vulneráveis, como crianças e idosos.
Apesar das quedas nos índices criminais, os advogados reforçam que a percepção de segurança nem sempre caminha na mesma velocidade da estatística. “Embora os dados mostrem uma melhora sólida em todos os indicadores do Grande ABC, incluindo a queda no total de estupros e crimes contra o patrimônio, o cidadão comum costuma sentir esse alívio de forma gradual. O medo é alimentado pela rapidez das redes sociais e pela memória traumática de crimes violentos”, finaliza Joabs Sobrinho.
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