Editorial
FOTO: DGABC

Além de chocar o Brasil, o assassinato da jovem vendedora Cibelle Monteiro Alves, em joalheria no Golden Square Shopping, expõe de maneira inequívoca a ineficiência das medidas protetivas no Brasil. Cibelle tinha uma delas – o que não impediu que seu ex-namorado a assassinasse! O episódio, somado a outros registros neste início de ano, no Grande ABC e no País, revela que instrumentos legais, embora existentes, não têm impedido que agressores descumpram ordens judiciais e executem ameaças previamente anunciadas. É preciso reforçar a rede de defesa contra o feminicídio a ponto de reduzir a zero a distância entre norma e prática. Chega de ver famílias conduzindo suas filhas aos cemitérios.
Os casos sugerem um padrão: ex-parceiros inconformados, posse de arma branca ou de fogo e histórico de violência prévia ignorado. Quando decisões judiciais não são acompanhadas de fiscalização efetiva, monitoramento eletrônico, resposta policial imediata e integração entre Judiciário e forças de segurança, a proteção vira formalidade. É preciso ampliar casas-abrigo, garantir canais de denúncia com retorno rápido, investir em equipes especializadas e criar protocolos que acionem alerta ao menor sinal de aproximação do agressor. Municípios podem adotar botões de pânico conectados a centrais 24 horas, além de compartilhar dados entre delegacias e tribunais. Sem gestão coordenada, a lei segue frágil.
Entretanto, repressão isolada não altera a raiz do problema. A violência de gênero nasce de uma cultura que naturaliza controle e posse sobre o corpo feminino. Acabar com o feminicídio exige educação desde a infância, com escolas debatendo respeito, resolução de conflitos e igualdade. Empresas e clubes podem promover cursos de formação sobre masculinidade não violenta, enquanto o poder público financia programas de reeducação para autores de agressão. Pais precisam ensinar filhos a lidar com frustração sem recorrer à força. Se o País deseja estancar o luto diário, deve iniciar desde já um debate nacional que una prevenção, responsa-bilização e mudança de mentalidade. Basta de matar mulheres!
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