Editorial O repasse de R$ 45,1 milhões ao Grande ABC por meio da Tabela SUS Paulista entre 2024 e 2025 representa avanço no enfrentamento da defasagem histórica da remuneração federal. A iniciativa do governo estadual amplia valores pagos por procedimentos hospitalares e ambulatoriais e se soma aos R$ 134,2 milhões transferidos pela União no mesmo período. Os números indicam esforço para recompor receitas e dar fôlego à rede pública, sobretudo em centros como Santo André e São Bernardo, que concentram maior volume de atendimentos. Trata-se de medida relevante para mitigar as inúmeras distorções acumuladas ao longo de anos de subfinanciamento. Mas é preciso mais.
Os valores estão longe de equacionar as demandas regionais. O Grande ABC abriga dois hospitais estaduais de referência, o Mário Covas, em Santo André, e o Serraria, em Diadema, que recebem pacientes de diferentes municípios paulistas. A estrutura instalada atrai casos de média e alta complexidade e amplia a responsabilidade das sete cidades. Soma-se a isso o atendimento a vítimas de acidentes ocorridos nas rodovias que cortam a região, especialmente as do SAI (Sistema Anchieta-Imigrantes), eixo que conecta a Capital ao Litoral e registra tráfego intenso. Esse fluxo pressiona prontos-socorros, leitos e equipes, elevando custos que nem sempre são compensados pelos repasses vigentes.
Diante desse cenário – bastante desafiador, reconheça-se –, torna-se necessário olhar mais atento tanto do Estado quanto da União à realidade regional. O financiamento da saúde no Grande ABC precisa considerar não apenas a população residente, mas também a demanda flutuante e o papel estratégico que o território desempenha na rede paulista. A complemen-tação promovida pela Tabela SUS Paulista é passo na direção correta, porém insuficiente diante da complexidade instalada. Sem revisão mais ampla dos critérios de distribuição de recursos e sem ampliação consistente das transferências federais, persistirá a dificuldade para equilibrar contas e assegurar atendimento adequado.
Atenção! Os comentários do site são via Facebook. Lembre-se de que o comentário é de inteira responsabilidade do autor e não expressa a opinião do jornal. Comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros poderão ser denunciados pelos usuários e sua conta poderá ser banida.