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Reação à violência

05/03/2026 | 09:35
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 Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


A reação institucional observada no Grande ABC diante do absurdo aumento em registros de agressões contra mulheres demonstra que a esfera pública pode responder com rapidez quando episódios violentos expõem fragilidades da proteção social. Iniciativas transformam indignação em ação, como tem de ser. Em São Bernardo, por exemplo, o prefeito Marcelo Lima (Podemos) aprovou lei que estabelece barreira clara: condenados por crimes previstos na Lei Maria da Penha ficam impedidos de ocupar funções na administração. Ato surge após o assassinato da jovem Cibelle Monteiro Alves e reforça mensagem necessária: quem ataca companheiras não pode encontrar abrigo em estruturas oficiais.

O pacote aprovado na Câmara de São Bernardo também amplia instrumentos de apoio a vítimas. O programa Tem Saída SBC propõe parceria entre a prefeitura e o setor produtivo para abrir oportunidades de trabalho, iniciativa que busca romper a dependência financeira frequentemente presente em relações abusivas. Esse conjunto de ações revela compreensão de que violência doméstica não se resolve apenas com punição. A solução vai além. Acolhimento público, acesso ao mercado laboral, promoção de campanhas informativas e oferta de serviços especializados precisam atuar de forma integrada para reduzir agressões e criar ambiente onde denúncias encontrem atenção das autoridades.

Movimento semelhante aparece em São Caetano. Presidente do Fundo Social, Renata Galati defende uso de tornozeleiras eletrônicas para monitorar agressores e evitar aproximação indevida. A proposta dialoga com experiência local do Smart Sanca Lilás, sistema que oferece orientação imediata e botão de emergência para vítimas logo após registro da ocorrência. Mesmo sem casos que demandem monitoramento, a cidade discute mecanismos preventivos antes que tragédias aconteçam. Ao agir dessa forma, administrações do Grande ABC sinalizam que a violência de gênero não pode ser tratada como assunto privado. Trata-se de questão pública que exige ação firme e permanente.

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