Editorial A decisão de estabelecer reuniões periódicas entre a direção da Fundação do ABC e os prefeitos de Santo André, São Bernardo e São Caetano, municípios que a instituíram e a mantêm, representa mudança relevante na forma de conduzir a política regional de assistência médica. O encontro ocorrido nesta terça-feira (10) com o presidente Aldemir Humberto Soares inaugura rotina administrativa baseada em contato direto entre o gestor responsável pela administração da rede hospitalar e chefes de Executivo que lidam diariamente com demandas da população. Trata-se de iniciativa que merece elogios, sobretudo porque aproxima o planejamento institucional das necessidades reais dos pacientes.
O atual momento contrasta com os anteriores, nos quais a interlocução entre dirigentes da Fundação e prefeitos ocorria de maneira limitada. A ausência de diálogo frequente dificultava troca de informações sobre gargalos existentes em unidades de saúde, fluxos de atendimento ou distribuição de especialidades. Sem essa escuta, decisões administrativas corriam risco de se afastar da realidade de pacientes e profissionais da área. Não é exagero afirmar que parte das dificuldades acumuladas pela região ao longo dos anos pode estar associada justamente a esse distanciamento. A saúde pública exige coordenação constante entre diferentes níveis de gestão, algo que depende de conversa franca.
Ao institucionalizar reuniões mensais, prefeitos e direção da Fundação criam ambiente favorável para aprimorar a eficiência do sistema. Um gestor municipal conhece, por exemplo, onde filas de consultas crescem, quais especialidades faltam ou qual hospital recebe maior pressão por leitos. Ao levar essas informações à mesa de decisões, torna-se possível reorganizar encaminhamentos, ajustar contratos, ampliar serviços estratégicos ou redistribuir demandas entre equipamentos administrados pela entidade, como o Hospital Mário Covas ou o Complexo de Saúde de São Bernardo. O resultado tende a ser rede mais coordenada e respostas mais rápidas ao cidadão. Manter esse canal aberto é essencial.
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