Editorial
FOTO: DGABC

Os sucessivos atrasos na execução das obras do BRT-ABC, que reavivaram a disposição do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) de romper o contrato com a concessionária responsável, Next Mobilidade, trazem apreensão aos usuários do sistema público de transporte coletivo no Grande ABC. Apresentado como solução para integrar a região à Capital por meio de um modal rápido, confortável e seguro, o projeto enfrenta uma sequência de adiamentos que geram incertezas. Dada a morosidade no andamento dos trabalhos, o sexto prazo acordado entre as partes – outubro – corre o sério risco de também ser descumprido. Entre ameaças e rescisões de um documento e outro, a população sofre.
Impossível o usuário do transporte público na região não notar a ironia do destino ao ouvir Tarcísio falar hoje em caducidade do contrato do BRT-ABC. Ora, o projeto foi apresentado em 2019 como a única alternativa viável quando o então governador João Doria, por motivos ainda obscuros, decidiu romper unilateralmente o acordo que o Estado tinha com o Consórcio Vem ABC para a implementação da Linha 18-Bronze do Metrô – empurrando ao contribuinte paulista a conta de R$ 335 milhões pagos a título de indenização à empresa. Dois chefes do Poder Executivo, dois acordos anulados e, no meio disso, moradores das sete cidades, que seguem sem Metrô e agora podem ficar também sem o BRT!
Contribui para a situação a passividade com que políticos da região acolhem cada justificativa oficial dos atrasos. Tome-se como exemplo o prefeito de São Bernardo, Marcelo Lima (Podemos), que, em vez de cobrar responsabilidade da concessionária, buscou um vilão improvável, qual seja, a Enel, uma espécie de Geni a que toda a culpa se atribui quando se quer passar pano para o verdadeiro infrator. Lamentável! Pelo menos uma voz mantém-se coerente durante toda a história: o Diário, que desde sempre, contando apenas com o apoio de seus leitores, postou-se em defesa da viabilidade da Linha 18. Este jornal é o único que não pode ser acusado de omissão caso o Grande ABC fique sem Metrô e BRT.
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