Editorial A sucessão de episódios recentes na Câmara de São Caetano expõe aos olhos da opinião pública uma fragilidade institucional que precisa ser urgentemente contida. A gravação em que dois parlamentares dançam sobre mesas do plenário ao som de Elvis Presley se tornou símbolo de um problema maior: a ausência de parâmetros claros de conduta aos 21 parlamentares com assento na Casa. O próprio presidente, Carlos Humberto Seraphim (PL), admitiu a lacuna ao reconhecer que não existe código de ética nem instância interna para avaliar comportamentos. Sem normas definidas, situações desse tipo deixam de ser analisadas por critérios objetivos e passam a depender apenas da reação pública.
O caso poderia ser tratado como episódio isolado se o ambiente institucional não estivesse marcado por questionamentos mais amplos. Investigações conduzidas pelo Ministério Público envolvendo o vereador Matheus Gianello (PL) apontam suspeitas de funcionários fantasmas, além da presença de pessoas sem vínculo formal atuando dentro do gabinete. Registros de acesso, publicações em redes sociais e depoimentos integram apuração que examina possível prática de peculato. Diante de fatos dessa natureza, a inexistência de mecanismos de controle interno amplia a sensação de desordem administrativa e política, enfraquecendo a confiança da população no funcionamento do Parlamento.
A criação imediata de um Conselho de Ética, acompanhada de um código de conduta, seria uma demonstração de boa vontade do Legislativo de São Caetano para restaurar parâmetros institucionais. Outras cidades do Grande ABC já contam com estruturas semelhantes para examinar atitudes de vereadores durante o exercício do cargo. Um colegiado com regras claras permitiria avaliar desde situações que expõem o plenário ao ridículo até suspeitas que exigem apuração formal. Não se trata de cercear manifestação individual, mas de proteger a instituição. Sem esse arcabouço, a Câmara são-caetanense continuará sujeita a episódios que reforçam a impressão de que ali vale tudo.
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