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Grande ABC registra 1.128 pessoas com síndrome de Down

Dia Mundial da condição é celebrado hoje; neurologista reforça que a inclusão social é tão importante quanto o acompanhamento clínico

21/03/2026 | 09:24
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Francisca Pereira, 68 anos, descreve a rotina e relação com o filho Jocivan Oliveira, 20 FOTO: Denis Maciel
Francisca Pereira, 68 anos, descreve a rotina e relação com o filho Jocivan Oliveira, 20 FOTO: Denis Maciel Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


O Grande ABC registra 1.128 pessoas com síndrome de Down, segundo dados do CadÚnico (Cadastro Único) referentes a fevereiro. Ao todo, são 1.120 famílias nas sete cidades com pelo menos um integrante com a condição genética. No Estado de São Paulo são 21.127 pessoas.

Os números mostram que Santo André concentra a maior parte dos registros, com 295 pessoas, seguido por São Bernardo, com 283. Na sequência aparecem Diadema, com 219, Mauá, com 194, São Caetano, com 58, Ribeirão Pires, com 54, e Rio Grande da Serra, com 25 pessoas cadastradas.

Celebrado neste sábado (21), o Dia Mundial da Síndrome de Down chama atenção para a importância da inclusão, do respeito às diferenças e da garantia de direitos dessa população. A data faz referência à trissomia do cromossomo 21, alteração genética que caracteriza a síndrome.

A condição tem origem em uma alteração na divisão celular ainda na formação do embrião. Segundo o professor titular de neurologia infantil do Centro Universitário FMABC (Faculdade de Medicina do ABC), Rubens Wajnsztejn, a grande maioria dos casos não é hereditária. “É uma alteração na divisão das células durante a gestação, que faz com que a pessoa tenha um cromossomo a mais. Isso acontece de forma aleatória em cerca de 95% das situações clínicas”, explica.

O médico detalha que existem variações mais raras, como alterações cromossômicas herdadas dos pais, mas que representam uma pequena parcela dos diagnósticos. “Por isso, a maioria das famílias não tem histórico da síndrome. São casos isolados, que acontecem independentemente de antecedentes familiares.”

No quesito neurológico, os principais impactos estão relacionados ao desenvolvimento cognitivo. “Na maioria das situações, há algum grau de deficiência intelectual, que pode variar de leve a moderado ou, em menor número, mais acentuado. Isso interfere principalmente na aprendizagem, na atenção e na linguagem”, explica Wajnsztejn.

A realidade descrita pelo neurologista se reflete na rotina de famílias da região, como na dona de casa Francisca de Almeida Pereira, 68 anos, moradora do bairro Jardim Silvana, em Santo André. Mãe de Jocivan Pereira de Oliveira, 20, ela relembra o impacto do diagnóstico, recebido apenas após o nascimento do filho.

“No começo, é muito difícil, dá medo, não sabe que caminho seguir. Depois, vai atrás de terapias e começa a entender melhor”, conta.

Ao longo das duas décadas, Francisca acompanhou de perto cada avanço do filho. Um dos momentos mais marcantes foi quando ele começou a andar, já perto dos quatro anos. “Foi muito gratificante ver que ele estava conseguindo sozinho”, relembra.

Hoje, a rotina dos dois é marcada por atividades simples, mas significativas. Oliveira gosta de passear, ir ao shopping e ouvir música, uma de suas maiores paixões. Em casa, passa parte do tempo explorando sons em um teclado, o que alimenta o sonho da mãe: vê-lo tocar de forma independente.

Francisca também lembra situações de exclusão vividas pelo filho na infância. “Já aconteceu de ele ser deixado de lado em festas, como se não pudesse participar. Isso marca muito”, diz. Para a dona de casa, o principal desafio continua sendo o preconceito. “As pessoas precisam entender que eles têm sentimentos, entendem tudo e têm direito de viver como qualquer outra pessoa”, afirma.

O neurologista Rubens Wajnsztejn complementa que, além do acompanhamento clínico, a inclusão social é fundamental para garantir qualidade de vida. “Essas pessoas têm capacidade de aprender, de se desenvolver e de participar da sociedade. O olhar precisa estar voltado para o que elas podem fazer”, finaliza.

Carlos Gomes recebe hoje a 4ª edição do Carnadown 

Neste sábado (21), Dia Internacional da Síndrome de Down, Santo André realiza a quarta edição da folia inclusiva Carnadown, no Cine Theatro de Variedades Carlos Gomes, no Centro. Diferente das três edições anteriores, a festa neste ano começa mais cedo, a partir das 16h, e tem uma hora a mais de duração, com término previsto para às 20h.

O evento, gratuito, terá personagens do universo infantil caindo na folia, distribuição pipoca e algodão doce, pintura facial, DJ com músicas para dançar e a tradicional Banda Lira ficará responsável pelas marchinhas de carnaval. Durante a programação ainda acontecerá o tradicional desfile de fantasias.

Divertir pessoas com deficiência, familiares e amigos em um encontro de alegria, com segurança e acessibilidade para todos é o objetivo do evento, segundo o secretário da Pessoa com Deficiência, Eduardo Leite. “O Carnadown é mais do que uma oportunidade de diversão para pessoas com síndrome de Down e seus familiares, é uma festa que promove a inclusão e o respeito. No Carnadown o preconceito não entra, fica do lado de fora”, destacou o secretário.

Segundo a Prefeitura, o uso de meias com cores e padrões diferentes entre os pés esquerdo e direito, além das fantasias, também são muito bem-vindas no Carnadown. As meias trocadas é uma campanha global de conscientização que chama a atenção, de forma lúdica. para a ideia de que ser diferente é normal.

“Além disso, as meias trocadas simbolizam o aspecto biológico da síndrome. Isso porque, vistos sob um microscópio, os cromossomos têm um formato que lembra muito o de uma meia”, descreve o Paço. 

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