Estagnação Pesquisa da SOS Mata Atlântica analisou pontos em Santo André, São Caetano, Mauá e Ribeirão; Dia Mundial da Água é celebrado hoje
Rio Comprido, em Santo André FOTO: Nario Barbosa/DGABC

No Dia Mundial da Água, celebrado neste domingo (22), levantamento nacional mostra que rios do Grande ABC seguem longe de atingir níveis considerados adequados. O estudo mais recente do programa Observando os Rios, da Fundação SOS Mata Atlântica, aponta que nenhum dos pontos monitorados na região alcançou classificação boa ou ótima.
Os dados revelam cenário de estagnação. Em Santo André, o Rio Comprido foi classificado como ruim em 2024 e 2025. Em São Caetano, o Ribeirão dos Meninos manteve a pior condição, com qualidade péssima nos últimos dois anos. Já em Mauá e Ribeirão Pires, os pontos analisados permaneceram na faixa regular, sem evolução.
O estudo faz parte de uma iniciativa de ciência cidadã que mobiliza voluntários em todo o País. Criado na década de 1990 para falar da despoluição do rio Tietê, o programa hoje monitora rios em diferentes Estados do bioma Mata Atlântica. Em 2025 foram realizadas 1.209 análises em 162 pontos de coleta, distribuídos por 128 rios.
A metodologia utilizada é o IQA (Índice de Qualidade da Água), baseado em 16 parâmetros físico-químicos e biológicos, como oxigênio dissolvido, presença de nutrientes e carga orgânica. A pontuação final classifica os rios em cinco categorias: ótima (acima de 40,1 pontos), boa (entre 35,1 e 40), regular (de 26,1 a 35), ruim (de 20,1 a 26) e péssima (abaixo de 20 ). Nenhum ponto analisado no País atingiu o nível ótimo, e apenas 3,1% foram considerados bons.
Na região, os números ajudam a dimensionar o problema. Em São Caetano, o Ribeirão dos Meninos registrou 19 pontos, permanecendo na faixa péssima. Em Santo André, o Rio Comprido teve 22,9 pontos, sendo classificado como ruim.
De acordo com a professora e pesquisadora da USCS (Universidade Municipal de São Caetano), Marta Marcondes, o ponto monitorado na cidade concentra impactos de toda a região. “O Ribeirão dos Meninos recebe água de São Bernardo, Santo André, Diadema e São Paulo. A coleta é feita na foz, justamente porque é onde tudo se encontra”, explica.
Já em Ribeirão Pires, rios como o Taiaçupeba-Mirim e o Ribeirão Pires apresentam qualidade regular. Os dados mais recentes apontam 31 pontos para o Taiaçupeba-Mirim e 29 ao Ribeirão Pires, ambos dentro da faixa intermediária do índice.
Os dados de Mauá registrados no relatório mostram cenário de estabilidade para a nascente do Rio Tamanduateí. De acordo com o monitoramento, o ponto analisado se manteve na categoria regular, também com pontuação de 31, sem avanços nos últimos anos.
Questionada, a Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística do Estado aponta que o relatório mostra avanços em outras regiões de São Paulo, com rios que passaram de classificações ruim ou péssima para regular. Segundo a Pasta, esses resultados estão ligados à ampliação da infraestrutura de saneamento, fiscalização e recuperação ambiental. Em relação aos questionamentos sobre a região e a qualidade dos rios, a secretaria não respondeu até o fechamento da edição.
‘Falta de tratamento de esgoto é o maior responsável pelo baixo desempenho’
Segundo a professora e pesquisadora da USCS (Universidade Municipal de São Caetano), Marta Marcondes, o principal fator que explica a baixa qualidade dos rios é a falta de tratamento adequado de esgoto. “A má qualidade está diretamente ligada ao esgoto lançado sem tratamento. Ainda existe um grande déficit na coleta, no afastamento e no tratamento desses resíduos”, afirma.
A especialista destaca que a responsabilidade é compartilhada entre o poder público e as concessionárias de saneamento. “Existe uma companhia responsável por esse serviço, mas os municípios precisam cobrar”, diz.
Em nota, a Sabesp (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo) informou que os investimentos em tratamento de esgoto foram ampliados após a desestatização, em 2024. Segundo a empresa, cerca de 70% dos recursos estão direcionados à ampliação da coleta e tratamento, com meta de universalização até 2029.
A Sabesp afirma ainda que, apenas em 2025, foram investidos R$ 903 milhões no Grande ABC, com exceção de São Caetano, onde a empresa não opera.
Atenção! Os comentários do site são via Facebook. Lembre-se de que o comentário é de inteira responsabilidade do autor e não expressa a opinião do jornal. Comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros poderão ser denunciados pelos usuários e sua conta poderá ser banida.