Sabores & Saberes
ARTE: Gilmar

As marcantes respostas terapêuticas aos modernos medicamentos para o tratamento da obesidade ocupam espaços em todas as mídias, dado o fabuloso universo que se apresenta em suas expectativas.
Mudanças brutais nas incidências e prevalências das inúmeras doenças associadas à obesidade e fortes abalos nos padrões de consumo são resultantes reiteradamente abordadas, e assustam em seus desenhos.
Mas, do outro lado deste contexto, estão aqueles pacientes que se submetem aos protocolos de tratamento com semaglutida (Ozempic, Wegovy) ou tirzepatida (Mounjaro) e não alcançam o emagrecimento esperado por eles e pelos seus médicos.
Em todos os estudos envolvendo estas drogas, aproximadamente 1 em cada 10 pacientes perde menos de 5% do peso inicial, o que, em comparação com a média de 15% a 23%, é verdadeiramente decepcionante e suscita inúmeras interrogações.
Alguns procuram, em seus comportamentos, os motivos do insucesso; outros interrogam se o remédio esteve mal armazenado, enquanto os cientistas rodopiam entre teorias que justifiquem esta ocorrência.
É provável que alguns perfis genéticos sejam responsáveis pela não responsividade, assim como muitos hormônios possam interferir nas ações destas medicações emagrecedoras.
Sabidamente, os estrógenos, hormônios femininos, potencializam a ação de semaglutida e tirzepatida, fazendo com que as mulheres respondam melhor do que os homens, o que também explica por que a reposição hormonal na menopausa melhora a resposta emagrecedora a esses fármacos.
Temos conhecimento de que o desejo pelo álcool é reduzido com tirzepatida e semaglutida, mas também é verdade que o consumo de álcool é um fator de arrefecimento na perda de peso, provavelmente interferindo nos sítios de ação desses medicamentos.
Muitos pacientes que apresentavam respostas pífias com a semaglutida, obtêm respostas incríveis com a tirzepatida, sendo incomum o inverso, o que sustenta a hipótese de que a gestão do consumo alimentar passe mesmo por vários setores hormonais.
Em outra observação, a resposta pode ocorrer à medida que avançamos com o escalonamento da dose, e, assim, o emagrecimento pode ser deflagrado a contento. Vê-se, ainda em alguns casos, que a associação a outra droga indicada no tratamento da obesidade pode oferecer uma solução satisfatória.
Além destes apontamentos, lembremos que os estudos envolvendo a semaglutida (Ozempic, Wegovy) e a tirzepatida (Mounjaro) apontam benefícios fabulosos decorrentes da perda de peso, mas também registram inúmeros outros desfechos positivos observados com ou sem perda de peso.
A suspensão do tratamento, neste grupo não responsivo a estes remédios, deve passar por várias ponderações, envolvendo médicos e pacientes, mas sem perder de vista o horizonte de fármacos cada vez mais resolutivos para este fim!
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