Doutor diferente Henrique de Almeida Filho transforma trabalho da adolescência em hospital de consertos
FOTO: André Henriques/DGABC

Com o famoso jaleco branco, o ‘doutor’ Henrique é um médico singular. Em janeiro de 2025, o técnico de manutenção de Santo André Henrique José Andrade Filho, 67 anos, criou o Hospital das Panelas, local de conserto de utensílios domésticos.
Quem passa pela Rua Professor Licínio, na divisa entre Santo André com São Bernardo, observa a proposta do estabelecimento. Uma enorme cruz vermelha e a frase “Quem disse que panela não tem problema de pressão?”.
Diferentemente dos estetoscópios e termômetros utilizados nos consultórios de saúde, o especialista andreense usa chaves de boca, martelos, torno mecânico e lixas para restaurar as panelas que chegam no seu espaço de atendimento.
Apesar de o espaço ter pouco mais de um ano no Grande ABC, a paixão pelos utensílios domésticos vem desde a adolescência. Aos 14 anos, o técnico começou a frequentar o curso de mecânico ajustador no Senai (Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial) Vila Alpina, na Capital, onde aprendeu a consertar objetos. No seu processo de ensino, o andreense conseguiu uma vaga de emprego na empresa Clock, fabricante de panelas de pressão.
Ao trabalhar na assistência técnica, o profissional ganhou experiência e se identificou com esse universo. Apesar de o Hospital das Panelas de Santo André ser o único da região, a ideia de criar um local especializado surgiu em 2003, quando inaugurou uma unidade em Brotas, no Interior de São Paulo, cidade da sua família.
“Surgiu depois que me aposentei. Em Brotas foi onde a história começou. Como sou natural de Santo André, resolvi trazer para a cidade também. O dia a dia aqui é atender muitos moradores, proprietários de restaurante e até mesmo indústrias”, comentou Andrade Filho.
Atualmente, o especialista afirmou que faz 50 consultas por dia e o carro-chefe são as panelas de pressão. “Os reparos podem ser nas de dois a trinta litros, de pequeno ou grande porte industrial. A panela de pressão, por exemplo, com o tempo, vai se dilatando, danificando as borrachas e válvulas, as trincas vão ficando ressecadas e o formato fica oval”, disse.
O preço de cada conserto pode variar. Alguns casos mais simples têm o custo de R$ 40, já outros mais complexos podem chegar aos R$ 150. “Fazemos uma revisão geral. Primeiro, desmonto a panela, executo a limpeza e depois realizo os ajustes. Após essas etapas, coloco as peças novas.”
O profissional alertou sobre os riscos durante o cozimento quando as panelas não recebem manutenção adequada. “Geralmente, ao cozinhar feijão e depois guardar as panelas na geladeira, o material se corrói, formando furos. Além disso, há casos de explosão de panelas de pressão causados pelo uso inadequado ou excesso de força”, explicou.
Para o técnico, muitas pessoas ainda preferem consertar os utensílios em vez de comprar novos, já que esses objetos têm valor sentimental e familiar. Além de atender todos os tipos de público, o especialista recebe doações de utensílios que as pessoas desejam descartar, os quais são restaurados e encaminhados a quem precisar.
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