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Crueldade sem freio

23/03/2026 | 08:30
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FOTO: DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


Números referentes a estupro coletivo no Grande ABC são assustadores. Em 2025, as sete cidades registraram 102 notificações desse delito, média mensal próxima de oito episódios. As estatísticas tratam de ações praticadas por grupos que se organizam para violentar mulheres, muitas vezes em festas ou encontros agendados. A dinâmica coletiva reduz freios individuais e transforma participantes em verdadeiras quadrilas de criminosos, que agem sem empatia, com indiferença diante do sofrimento alheio e desprezo pela dignidade feminina. Infelizmente, as ocorrências regionais são espelho exato do que ocorre Brasil afora. Pode-se dizer que a impunidade está na raiz do aumento de casos.

Quando processos se arrastam, condenações demoram ou penas acabam reduzidas, transmite-se mensagem de tolerância implícita com a situação. Criminosos têm certeza de que nada vai lhes acontecer. A circulação de conteúdos misóginos na internet também amplia terreno para agressões. Grupos digitais difundem linguagem que trata mulheres como objeto, alimentando mentalidade que naturaliza violência. Casos recentes envolvendo adolescentes, como lista classificando colegas segundo suposta “estuprabilidade”, demonstram como o discurso misógino começa desde cedo. Jovens expostos a tais ideias passam a reproduzir atitudes coletivas de hostilidade, reforçando cultura que banaliza o abuso.

Reduzir esse tipo de ocorrência a zero exige combinação de medidas. Investigação rápida, julgamento célere e cumprimento de penas são essenciais. Policiamento ostensivo, campanhas educativas nas escolas e monitoramento de comportamentos abusivos em ambientes virtuais também são bons instrumentos. Municípios podem ampliar programas de prevenção, estimular denúncias, ainda que anônimas, e oferecer acolhimento imediato às vítimas. Ações pedagógicas que discutam respeito, consentimento e responsabilidade coletiva desde a adolescência ajudam a formar outra mentalidade. Combater estupro coletivo não depende apenas de repressão estatal; requer, sobretudo, educação.




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