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Prisões no Grande ABC chegam a 7.103 em 2025, média de 19 por dia

Especialista em Segurança Pública aponta que dado reflete atuação policial e não necessariamente aumento da criminalidade

25/03/2026 | 07:10
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FOTO: André Henriques/DGABC
FOTO: André Henriques/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


O Grande ABC registrou 7.103 prisões ao longo de 2025, o que representa média de 19 pessoas detidas por dia – aproximadamente uma a cada 1 hora e 15 minutos. Dados da SSP (Secretaria da Segurança Pública) indicam aumento de 3,6% em relação a 2024, quando foram contabilizadas 6.854 ocorrências nas sete cidades.

O crescimento, embora moderado, não deve ser interpretado automaticamente como avanço da criminalidade. É o que explica o professor de Direito e de Segurança Pública da USCS (Universidade Municipal de São Caetano), David Siena. Segundo ele, o total de detenções está mais ligado à atuação das forças de segurança do que, necessariamente, ao volume de crimes.

“O aumento é discreto e não permite afirmar o crescimento da criminalidade. O número de prisões é um indicador que reúne diferentes fatores, como intensidade das operações policiais, capacidade de investigação e cumprimento de mandados. É possível haver aumento de detenções e redução de crimes graves ao mesmo tempo”, afirma.

Em 2025, o volume de detenções no Grande ABC foi impulsionado principalmente por São Bernardo, que liderou o ranking regional com 2.125 registros ao longo do ano. Na sequência aparece Santo André, com 1.567 casos, seguido por Diadema, com 1.410. Já Mauá somou 1.076 ocorrências no período.

Na faixa intermediária do levantamento está São Caetano, com 583 registros em 2025. Os menores volumes foram registrados em Ribeirão Pires, com 258, enquanto Rio Grande da Serra fechou o ano com 84.

Entre os principais fatores que impactam diretamente os registros estão as ações das polícias Civil e Militar. A PM (Polícia Militar) tende a elevar os flagrantes por meio do policiamento ostensivo e das abordagens. Já a Polícia Civil responde principalmente pelas prisões por mandado, resultado de investigações, explica Siena.

O perfil das ocorrências também ajuda a compreender os dados. Sem detalhamento por tipo de crime na região, a tendência é que casos de tráfico de drogas, crimes patrimoniais, violência doméstica e cumprimento de mandados judiciais tenham maior peso.

NESTE ANO

Em janeiro de 2026, as sete cidades do Grande ABC já somaram 613 detenções. No mesmo período do ano passado, foram contabilizadas 590 ocorrências – alta de 3,8% em um ano. 

Siena também destaca o impacto de políticas públicas nesse cenário. Investimentos em tecnologia, inteligência e integração entre as forças de segurança tendem a ampliar a capacidade de identificação e captura de suspeitos.

“Essas medidas tornam o Estado mais eficiente. No curto prazo, podem gerar mais prisões no curto prazo e menos vitimização no médio prazo”, explica ele.

O QUE DIZ O ESTADO?

Procurada, a SSP informou que o aumento na região está ligado ao fortalecimento das ações integradas das forças policiais e à intensificação das estratégias de combate à criminalidade em todo o Estado.

Segundo a secretaria, a Polícia Militar ampliou o policiamento ostensivo, com reforço de efetivo em áreas estratégicas, uso de inteligência e realização de operações direcionadas. Já a Polícia Civil intensificou investigações, com foco na identificação de autores, desarticulação de quadrilhas e cumprimento de mandados judiciais.

De acordo com a secretaria, o uso de tecnologias, como monitoramento por câmeras e análise de dados, tem contribuído para ampliar a eficiência das ações e, consequentemente, elevar o total de registros.

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