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O Brasil não pode parar

25/03/2026 | 08:45
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FOTO: DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


A disparada recente do valor do diesel colocou o Grande ABC em alerta. Empresas de transporte e logística relatam dificuldade crescente para absorver sucessivos reajustes sem repasse aos clientes, situação que pressiona contratos, margens e planejamento. Dados da ANP (Agência Nacional do Petróleo) mostram salto expressivo no preço de revenda regional, de 23,5% apenas em março, movimento que atinge diretamente cadeias produtivas dependentes de circulação rodoviária. Transportadoras relatam criação de taxas emergenciais ou absorção parcial de custos para evitar ruptura comercial. A elevação repercute no frete, na distribuição de mercadorias e também no transporte coletivo.

O conflagrado cenário internacional está na origem do problema. A escalada de tensões no Oriente Médio, agravada por intervenção militar conduzida pelos Estados Unidos, produziu instabilidade geopolítica que rapidamente alcançou o mercado de combustíveis global. Conflitos envolvendo grandes produtores costumam gerar incerteza, especulação e aumento de preços nas bolsas internacionais. Ao optar por ação bélica em região sensível para a oferta de petróleo, Washington contribuiu para ampliar volatilidade energética. Decisões desse tipo trazem efeitos difusos, atingindo países distantes do campo de batalha e pressionando economias dependentes de transporte rodoviário. É o caso.

Situação posta, torna-se necessário olhar coordenado entre União, Estado e municípios. A proposta de subvenção temporária ao diesel, aliada a redução do ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços), indica tentativa de reduzir o impacto, porém exige cooperação federativa e cuidado com as contas públicas. O objetivo deve ser impedir paralisação de setores que sustentam circulação de pessoas e mercadorias. Transporte coletivo urbano, distribuição de alimentos, abastecimento industrial e atividade de caminhoneiros formam engrenagem que mantém cidades funcionando. Sem resposta institucional, o cenário pode fugir do controle. Não é o que a população espera. O Brasil não pode parar.




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