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A cada oito horas uma pessoa é internada por epilepsia no Grande ABC

Segundo DataSUS, Grande ABC registra 1.157 casos em 2025

26/03/2026 | 08:45
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FOTO: Reprodução Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


A cada oito horas uma pessoa é internada por epilepsia no Grande ABC. Segundo levantamento do Diário a partir dos dados do DataSUS, do Ministério da Saúde, foram contabilizados 1.157 casos em 2025. Nesta quinta-feira (26) é celebrado o Dia Mundial da Conscientização da Epilepsia.

O Purple Day (Dia Roxo, em inglês) foi criado em 2009 por organizações canadenses e ganhou alcance internacional. Segundo o Ministério da Saúde, a data tem como objetivo conscientizar a população sobre a doença e combater o estigma associado a ela.

Na região, São Bernardo liderou o número de internações por epilepsia com 353 registros no ano passado. Diadema e Santo André aparecem na sequência, com 276 e 253 casos, respectivamente. Mauá (133), São Caetano (116), Ribeirão Pires (22) e Rio Grande da Serra (4) completam a lista regional.

A epilepsia é uma condição neurológica que gera descargas elétricas anormais no cérebro do paciente, causando diversas manifestações como convulsões, alterações de consciência e movimentos involuntários, conforme explicou Letícia Sampaio, neurologista e presidente da LBE (Liga Brasileira de Epilepsia).

Ainda segundo ela, a doença pode estar presente desde o nascimento, como ser desenvolvida ao longo da vida. “Algumas pessoas nascem com uma predisposição genética que favorece o surgimento de crises já nos primeiros anos de vida. Em outros casos, a epilepsia é adquirida após um traumatismo craniano, infecções do sistema nervoso, AVC (Acidente Vascular Cerebral), tumores ou outras causas”, comentou Letícia. A privação de sono e o abuso de álcool e drogas também podem acarretar a doença em pessoas pré-dispostas.

Em relação a 2024, a região registrou uma diminuição de 7% nas internações. No ano anterior, foram 1.239 entradas médicas. Para a especialista, a redução pode ser explicada por melhoria nos diagnósticos precoces e maior orientação ao uso de medicamentos para tratamento das crises.

“Isso evita a evolução de crises prolongadas. Também há educação dos pacientes e dos cuidados, evitando idas desnecessárias ao pronto-socorro. Por outro lado, também é importante considerar subnotificações e variações administrativas nos registros”, disse Letícia.

Apesar da evolução nas informações, a neurologista considerou que ainda há um estigma envolvendo a doença. “Persiste medo e crenças equivocadas como a ideia de incapacidade, perigo constante ou limitação para estudo, trabalho e vida social. O que impacta no acesso a oportunidades e qualidade de vida”, comentou a médica. Segundo ela, o tratamento tem como objetivo controlar as crises, sendo baseado no uso de medicamentos.

De acordo com o levantamento, do total de pacientes internados no ano passado, 62% (729) eram sexo masculino e 38% (437) do feminino. Apesar do elevado registro em homens, a especialista ressaltou que não existe uma explicação científica de que pacientes do sexo masculino sejam mais propensos a desenvolver a doença. Contudo, ela pontuou que há estudos que mostram fatores de riscos mais comuns em homens, como maior exposição a acidentes e consumo de álcool. 




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