Eleições 2026 Reeditada, federação tem objetivo de atrair atenção do Estado e impedir que eleitores votem em forasteiros
FOTO: André Henriques/DGABC

Atualizada às 22h16
Lideranças do Cidadania e do PSDB se reuniram nesta quinta-feira (26) para reafirmar a disposição de trabalharem em conjunto para ampliar a força política do Grande ABC na eleição de outubro. A ideia da composição é aumentar também a influência de representantes da região nas decisões nacionais dos dois partidos, que vão reeditar por mais quatro anos a federação firmada em 2022.
Participaram do encontro, na sede do Diário, em Santo André, o presidente nacional do Cidadania, deputado federal Alex Manente, o presidente estadual e vice-presidente nacional do PSDB, Paulo Serra, e o prefeito de Santo André, Gilvan Ferreira, que acaba de migrar do PSDB ao Cidadania em arranjo articulado pelos dois líderes partidários.
“Estamos no centro das discussões de uma das federações mais importantes, cujo comando fica com quadros da nossa região. Temos de celebrar e, claro, trabalhar muito para transformar esse protagonismo político em bons resultados na eleição”, disse Paulo Serra, dizendo que a união de três lideranças é “inédita” na história do Grande ABC.
Alex lembrou que a federação já deu bons resultados na eleição passada. “Estivemos juntos em 2022, o que resultou ao Cidadania ter a deputada estadual mais votada da federação, que é a Ana Carolina Serra.” Ana Carolina é mulher de Paulo Serra e recebeu no último pleito 198.698 sufrágios. Segundo o deputado federal, a reedição da parceria “vai automaticamente aumentar a nossa participação na representatividade no Congresso.”
Ana Carolina deve trocar o Cidadania pelo PSDB, conforme adiantado nesta quinta-feira pelo Diário, fazendo caminho inverso ao do prefeito de Santo André. As alterações de nomes não são vistas como ruptura, mas como integração, já que as forças se reorganizam dentro da própria federação.
“Essa sinergia é muito importante para o protagonismo do Grande ABC, do Estado e do País. Venho para contribuir. O Alex e o Paulo estão debatendo para fazer cada vez mais deputados e, no que eu puder somar para a região crescer cada vez mais, vou entrar de cabeça. O Grande ABC é uma força econômica e precisamos desse protagonismo partidário”, declarou Gilvan.
A federação tem o objetivo de eleger dois deputados federais e cinco estaduais em São Paulo em outubro – três deles com domicílio eleitoral no Grande ABC. No pleito de quase quatro anos atrás, os partidos elegeram dois nomes da região, ambos do Cidadania: exatamente Ana Carolina e Alex.
Segundo entendimento dos três líderes, a federação atua como se fosse “um partido único” e, como tal, vai atrair mais votos à medida em que tenha bons candidatos. Paulo Serra citou que, com 2,15 milhões de eleitores, o Grande ABC é sub-representado em Brasília. A região tem quatro deputados federais, sendo Alex o único do PSDB-Cidadania.
“Alex é um é um deputado de primeiro quilate, mas, quantitativamente, temos muito mais eleitores do que representantes. Se conseguirmos fechar mais a nossa região, para que votem em candidatos com ligação aqui, que trazem recursos para cá, não só no Congresso, mas também na Assembleia, isso faz diferença”, ilustrou Paulo Serra.
Além do trabalho dos parlamentares, o Grande ABC pode se beneficiar da proximidade de Gilvan do governo paulista na obtenção de mais recursos para a região. O prefeito de Santo André é próximo ao secretário da Casa Civil do Estado de São Paulo, Roberto Carneiro, presidente estadual do Republicanos, partido do governador Tarcísio de Freitas.
“O governador mesmo avalizou (minha ida ao Cidadania). Ele tem admiração e carinho pela nossa gestão e tem contribuído bastante para melhorar a vida das pessoas”, finalizou Gilvan.
Presidente estadual do PSDB, Paulo Serra deve mesmo disputar a Câmara Federal. Ele baterá o martelo após o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) confirmar que vai disputar a reeleição. O tucano ainda considera a hipótese de concorrer ao Palácio dos Bandeirantes, sede do Executivo paulista, caso o republicano renuncie para concorrer à Presidência, mas a hipótese é remotíssima.
“Tínhamos uma pré-candidatura ao governo colocada, bem pontuada (nas pesquisas) inclusive. Só que em todas as minhas falas, inclusive aqui para vocês, sempre condicionava isso, por questão estratégica, à condição do governador Tarcísio ser candidato a presidente da República. Algo que poderia ter acontecido, mas não aconteceu”, explicou Paulo Serra em entrevista ao Diário.
Segundo o tucano, disputar com o governador é erro estratégico. “Sem o Tarcísio, teria grande espaço para novos grupos políticos no Estado de São Paulo. Mas, com ele no páreo, a reeleição é muito natural, ainda mais numa gestão bem avaliada. Eu vivi isso aqui em Santo André”, argumentou Paulo Serra, citando como exemplo a obtenção do segundo mandato consecutivo a prefeito, em 2020, quando venceu no primeiro turno.
“Sei como é ir para a reeleição com um governo bem avaliado, e hoje o governador Tarcísio goza de uma boa avaliação no Estado de São Paulo. Então, é uma tendência natural que, ele decidindo ficar, e tudo indica que já decidiu, possivelmente eu devo ser candidato a deputado federal”, declarou Paulo Serra.
O ex-prefeito andreense revelou que já conversa com o dirigente nacional dos tucanos visando a eleição à Câmara. “Tenho o convite do presidente Aécio (Neves) para disputar uma vaga de deputado federal e representar não só a federação (PSDB-Cidadania), mas a nossa região”.
O anúncio oficial, todavia, só será feito após 3 de abril, data limite em que Tarcísio de Freitas teria para se desincompatibilizar do cargo caso queira concorrer à Presidência. “Não posso cravar ainda porque ainda temos 10 dias pela frente”, finalizou Paulo Serra.
Alex Manente vai disputar o seu quarto mandato consecutivo na Câmara Federal. Segundo disse, a luta para manter o comando do Cidadania, ameaçado por grupo interno rival, obrigou-o a rever o plano original de se lançar ao Senado na eleição de outubro.
“Quando começamos a falar da pré-candidatura ao Senado, surgiu os imbróglios do Cidadania”, disse Alex, lembrando da briga jurídica empreendida pelo ex-deputado estadual fluminense Comte Bittencourt que o tirou da tesouraria e quase custou sua eleição à presidência nacional do partido.
A energia consumida no embate acabou impedindo que ele se dedicasse às articulações em busca de aliados. “Naturalmente, para disputar uma vaga no Senado, você não consegue se não tiver um partido bem estruturado e com capacidade de discutir o ingresso numa chapa competitiva majoritária”, argumentou Alex.
O deputado federal havia aventado a possibilidade de concorrer a uma das duas cadeiras de São Paulo na chamada Câmara Alta em entrevista concedida ao Diário em setembro. Ontem, ele admitiu a mudança de rota. “Numa eleição de duas candidaturas, fazer uma candidatura outsider num partido pequeno como é o Cidadania, é muito difícil obter a vitória”, admitiu o parlamentar.
Segundo Alex, a força do Grande ABC em Brasília poderia ser afetada caso ele disputasse o Senado sem chances de eleição. “Acabaria trazendo um prejuízo àqueles que acreditam em mim, porque eu não conseguiria disputar para vencer por conta dessas questões e, naturalmente, perderíamos a representatividade. Então, defini ser candidato à reeleição”, alegou.
Com a decisão, Alex e Paulo Serra, presidente estadual do PSDB, devem se enfrentar nas urnas. “Já disse isso em outras vezes: é muito bom que tenhamos quadros do potencial, como o Paulo Serra, porque nós precisamos e a nossa região tem tamanho e condições de eleger mais que um deputado”, afirmou. “Sei que, se tivermos Paulo Serra e outros que têm potencial representando nossa região, quem ganha é o Grande ABC”, completou.
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